OPERAÇÃO “MARTELO FINAL” DESARTICULA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ESPECIALIZADA NO “GOLPE DO FALSO LEILÃO”

A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por intermédio da Delegacia de Polícia do Município de Guaíra, vinculada à Delegacia Seccional de Polícia de Barretos (DEINTER 3 – Ribeirão Preto), deflagrou na manhã desta terça-feira, 9 de junho, a Operação “Martelo Final”, destinada a desarticular organização criminosa especializada na prática de estelionato por meio eletrônico, na modalidade conhecida como “Golpe do Falso Leilão”.

Na ação foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário contra integrantes do grupo criminoso. Dos 5 (cinco) alvos dos mandados de prisão temporária, 3 (três) foram presos: um homem e uma mulher na cidade de Jundiaí e um homem na zona leste de São Paulo (Capital). Foram cumpridos, ainda, 9 (nove) mandados de busca e apreensão. As diligências de prisão e de busca ocorreram nas cidades de Jundiaí, São Paulo (Capital) e São Bernardo do Campo, todas no Estado de São Paulo.

 

As ordens judiciais decorrem de representação da autoridade policial, fundamentada em robusto conjunto probatório reunido ao longo da investigação. As equipes seguem em diligências para a localização e captura dos demais alvos.

A INVESTIGAÇÃO

Os trabalhos tiveram início a partir do registro de ocorrência de uma vítima que, ao buscar a aquisição de um veículo anunciado em nome de tradicional empresa de leilões, foi induzida a efetuar transferência bancária a criminosos que se passavam pela pessoa jurídica legítima, utilizando indevidamente seu nome e identidade visual.

As diligências revelaram um sofisticado esquema de fraude eletrônica, estruturado em divisão de tarefas, que consistia na criação de sites falsos de empresas de leilões de veículos, hospedados em servidores localizados no exterior; na contratação de anúncios pagos em plataforma de buscas, de modo a conferir destaque e aparência de legitimidade às páginas fraudulentas; no atendimento das vítimas por meio de linha telefônica cadastrada falsamente em nome da empresa idônea; e no recebimento dos valores em contas digitais, com imediata pulverização dos recursos entre diversas contas de terceiros, em manobra destinada a dificultar o rastreamento do dinheiro.

A apuração identificou a atuação coordenada de múltiplos integrantes, com funções distintas dentro da estrutura criminosa, bem como a reiteração da prática delitiva, evidenciando a estabilidade e a permanência típicas da organização criminosa.

A OPERAÇÃO

A Operação “Martelo Final” contou com o apoio operacional do Grupo de Operações Especiais (GOE) do DEIC/DEINTER 3, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) – 1ª Delegacia de Capturas, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, das equipes da DIG/DISE de Barretos e da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Barretos, cuja integração foi fundamental para o êxito do cumprimento simultâneo das medidas.

Os investigados responderão pelos crimes de estelionato qualificado pela fraude eletrônica (art. 171, § 2º-A, do Código Penal) e organização criminosa (art. 2º da Lei nº 12.850/2013).

O material apreendido — entre dispositivos eletrônicos, telefones celulares, cartões bancários e mídias de armazenamento — será submetido a perícia, podendo revelar novas vítimas, outros sites fraudulentos em operação e a destinação final dos valores obtidos ilicitamente.

As investigações prosseguem.

ORIENTAÇÃO AO CIDADÃO: COMO SE PROTEGER DO “GOLPE DO FALSO LEILÃO”

O “Golpe do Falso Leilão” tem como característica a oferta de veículos, imóveis, máquinas e outros bens por preços muito inferiores aos praticados no mercado, atraindo a vítima pela aparência de grande oportunidade. Os criminosos clonam a identidade de empresas de leilão reais — nome, logotipo, endereço e até números de processos —, criam sites praticamente idênticos aos originais e investem em anúncios pagos para que essas páginas apareçam em destaque nas buscas pela internet.

Para não cair nesse tipo de fraude, a Polícia Civil orienta:

Desconfie de preços muito abaixo do valor de mercado; em leilões legítimos, os lances costumam se aproximar do preço real do bem. Acesse o site da leiloeira sempre digitando o endereço oficial diretamente no navegador, e não por meio de links de anúncios ou redes sociais. Verifique se a leiloeira é oficial e está registrada na Junta Comercial do respectivo estado (JUCESP, em São Paulo), conferindo CNPJ, endereço e telefones por canais independentes. Estranhe quando o pagamento for solicitado via PIX para CPF ou CNPJ de pessoa diferente da empresa anunciante. Desconfie de pressa, exclusividade e cobranças de “taxas adiantadas” para garantir o bem. Confirme a negociação por telefone oficial da empresa, jamais apenas pelo número informado no anúncio ou no WhatsApp do suposto vendedor.

Em caso de suspeita ou de vítima de golpe, registre ocorrência na Delegacia Eletrônica (www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br) ou acione o Disque-Denúncia pelo telefone 181, que garante o anonimato. Guarde prints das conversas, comprovantes de pagamento, links e dados das contas utilizadas, pois esses elementos são essenciais para a investigação.